RD Congo em estado de alerta diante de surto recorde de ebola e fome extrema

A República Democrática do Congo (RD Congo) está imersa em uma grave crise humanitária, com o registro do maior surto de ebola da história causado pela estirpe Bundibugyo, ao mesmo tempo em que enfrenta uma crise de fome que ameaça a vida de milhões. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que a epidemia de ebola tem se expandido de forma alarmante, afetando 48 zonas de saúde nas regiões orientais de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Alto Uele.

Dados recentes indicam que mais de 3.400 pessoas foram infectadas, e o número de mortes ultrapassa 1.500. A letalidade do vírus, caracterizada por hemorragias severas, atinge cerca de 40%, e o aumento de 50% nas fatalidades em apenas uma semana demonstra a gravidade da situação e a dificuldade em conter a propagação.

Paralelamente à emergência sanitária, a RD Congo lida com uma crise de insegurança alimentar que coloca aproximadamente 2,65 milhões de indivíduos em risco de fome aguda. Deste total, 628 mil estão em situação de emergência, com destaque para a província de Ituri, epicentro do surto de ebola, onde 1,9 milhão de pessoas enfrentam níveis severos de insegurança alimentar.

“O ebola alimenta-se do atraso, do medo e da fome. A meta de parar este surto exige a união de todas as forças e a total participação das comunidades na resposta.”

– Carl Skau, diretor-executivo interino do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

A comunidade internacional, representada por organizações como a OMS, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), tem intensificado suas ações no terreno. Equipes de resposta rápida foram mobilizadas para áreas de alto risco, e suprimentos médicos vitais, juntamente com peritos, chegaram ao país para reforçar a vigilância epidemiológica, prevenção, controle de infecções e o tratamento de casos. A diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, visitou a região para reafirmar o apoio internacional.

A resposta humanitária enfrenta desafios significativos, como o acesso geograficamente complexo, conflitos armados que geram insegurança, restrições logísticas e a desconfiança das comunidades. O WFP, por exemplo, solicitou urgentemente US$ 293,6 milhões para os próximos seis meses, visando garantir a assistência alimentar. A agência tem operado uma ponte aérea de emergência, transportando profissionais de saúde e cargas essenciais, além de distribuir mais de 160 mil refeições quentes em centros de tratamento e fornecer alimentos mensais para milhares de famílias em quarentena ou em situação de vulnerabilidade.

A união de esforços entre as agências da ONU e o Governo da RD Congo é crucial para evitar que esta crise humanitária se agrave e supere a capacidade de resposta internacional, dada a interconexão entre a velocidade do contágio, a escassez de recursos e a insegurança alimentar.